Odisséia - Homero

    A Odisséia é considerada uma das obras-primas não somente da literatura grega, como da literatura universal. Seu autor é historicamente incerto. A tradição nos legou a autoria como sendo de uma aedo (poeta andarilho) chamado Homero, do qual praticamente nada se sabe, a não ser a informação de que talvez fosse cego. Contudo, é a belíssima poesia e o enredo cativante de uma aventura sem igual que nos atrai.

    O contexto da narrativa da Odisséia provém de outro poema épico, a Ilíada. Se falarmos em Tróia muitos se lembrarão da história do cavalo de tróia, o célebre “presente de grego”. Porém Tróia era o nome latino, isto é, a designação romana para a cidade que os gregos conheciam por Ílion. Falar da Ilíada seria um prazer, mas haja página… cabe apenas sabermos que Odisseu era um homem tido como um dos maiores guerreiros do mundo helênico, que estava de retorno da guerra de Tróia (ou Ílion)

    A narrativa do périplo empreendido pelo herói grego Odisseu (Ulisses para os romanos) através das águas do mar Egeu no retorno à ilha de Ítaca, sua terra natal, é de uma sublime riqueza reflexiva. Tal riqueza está associada ao fato de que o mito não constitui um mero relato fantasioso, mas uma reflexão acerca do homem e do mundo. A jornada do herói perfaz um arquétipo, ou seja, um modelo de vivência, símbolo da trajetória humana. E uma vez que a jornada é um símbolo, devemos considerar que o mito emprega uma linguagem conotativa, sendo esta outra dimensão do pensar com seu próprio logos (razão em grego).

    Dessa forma, a aventura do rei Odisseu representa as múltiplas experiências, provações e possibilidades existentes na vida, de tal modo que o pensamento mítico traz de maneira condensada variados aspectos do viver, fugindo da lógica binária e permitindo diversas leituras. Visto isso, o herói é personificado não somente em Odisseu, mas também em seu filho Telêmaco e em sua esposa Penélope, demonstrando a dinâmica humana sob a perspectiva dos gregos antigos, ora expressando a tendência a presunção, isto é, a hybris; ora tendendo a justa medida, a sofrosyne. Portanto não são personagens idealizados, mas humanos por excelência, com todos os erros e acertos.

    Tais atitudes tipicamente humanas são observadas e orientadas pelos deuses em acordo com a concepção de então, configurando uma constante na história. Os deuses para os gregos eram o extraordinário que permeia o ordinário do cotidiano, a vida em suas formas e momentos mais intensos. Mostravam-se como o próprio cosmos: a natureza e sua ordem repleta de beleza.

    Levando em conta os pressupostos mencionados, é notável a proximidade do divino, subentendendo-se aqui a natureza em si, no que tange ao canto X. Examinemo-lo em especial. É um momento particularmente atribulado para Odisseu e seus compatriotas, uma vez que sofrem três grandes infortúnios, nos quais os deuses se apresentam de forma marcante. Inicialmente, Éolo, senhor dos ventos impulsiona a esquadra dos argivos (gregos), que quase consegue finalmente atracar em Ítaca após anos vagando a esmo pelo Egeu desde o fim da guerra de Ílion (Tróia na tradução latina), no entanto, a hybris dos homens de Odisseu os atrapalha. O rei, combalido de sono adormece, e deixa uma grande trouxa que lhe fora entregue de presente por Éolo à mercê da curiosidade dos soldados, despertando a cobiça dos mesmos.

    Desejosos de encontrar um tesouro, abrem a trouxa e muitos são atirados imediata e violetamente ao céu, pois ali se achavam presos quase todos os ventos do mundo por ordem de Éolo, exceto o vento do oeste que levaria todos de volta para casa. Em meio a um tremendo vendaval, a esquadra é abruptamente impulsionada e levada à deriva para a ilha dos lestrígones, bestas gigantescas, na qual são recebidos de maneira hostil, e  findam com a esquadra destroçada, tendo restado apenas uma nave. Fogem exasperadamente, e por fim, permancem ao bel-prazer da Deusa Circe em sua ilha, retidos com uma série de regalias, que simbolicamente representam uma força de esquecimento, até deliberarem o intuito de partir.

* Laecio é estudante de pedagogia e filosofia

EXERCÌCIO

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